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Eu tenho um sonho recorrente.
Ela já não está mais aqui. Mas quando me sinto realmente perdido, eu a encontro no mundo onírico.
E, como em todas as vezes, ela sempre tem algo bom a dizer.
Me faz lembrar de tudo aquilo que realmente é importante para mim e que eu cismo em esquecer.
Quem eu sou.
Para que eu sirvo.
O meu valor.
Faz com que meus pensamentos entrem em ordem e a vida retome o caminho. A graça. Os trilhos certos.
O sorriso é sereno e a expressão é de quem sabe o que está acontecendo sem que eu precise dizer uma só palavra.
Amanhece.
Eu acordo.
E é como se ela nunca tivesse realmente partido.

Image“Tá aí. Mano, na boa, esse vai ser o ano do Boto. Tá rindo? Tá rindo, né? Tô te falando, vai ser foda! Chega de drama, história triste, de mulher maluca… Tá decidido. Só sucessagem. Anotaí”

Eu fui o autor dessa frase. Lembro bem do momento. Estava na praia, por essa mesma época de verão no ano passado, conversando com um amigo sobre o futuro e amenidades em geral, quando num momento de profunda iluminação, profetizei o meu horóscopo-chinês-paraguaio-maluco e qual seria a postura que iria adotar com relação as coisas que estavam por vir.

“Por que Boto?” você deve estar se perguntando. O Boto, de acordo com a minha memória de uma série da Globo, e a interpretação da minha cabecinha de criança na época, (e não, não tem nada a ver com a música antiga da Xuxa – que provavelmente você não conhece ou se esqueceu e neste exato momento, num furor de curiosidade, já está procurando no Google para saber do que se trata. É, eu sei que você está fazendo isto agora. Não, você não me engana.), é a imagem do malandrão de terno e chapéu branco, que aproveita a vida,  leva tudo na flauta, conquista todas as menininhas, ilude, parte corações. Aquele que “pega e não se apega”, “larga de barriga e mete o pé”, “só sambar e love”. (Aposto que você nunca leu um trecho com tantas citações toscas num mesmo parágrafo. Temos um novo recorde!)

Basicamente, era só isso que eu queria nesse mundão de meu Deus. Guardadas as devidas proporções, óbvio, porque o Boto é muito hardcore (não dá para me transformar e fugir nadando quando o bicho pegar). Muita diversão, aproveitar a vida mesmo, sabe? Sem drama, até porque vinha de um período bem conturbado. E complicação, confusão de qualquer tipo eram as últimas coisas que eu estava procurando. Pedi por um ano leve, solar, de muitas gargalhadas, de pura farra e sem sentimentos complicados para administrar. Que tolinho.

Até certo ponto tudo correu nos conformes. Novas oportunidades surgiram, um novo emprego, conheci uma cacetada de gente legal e etc. Mas no corner oposto ao da vida profissional, a minha postura “quer romance compra um livro” estava firme e forte. Mas no meio do caminho apareceu uma pedra. Depois, caiu o piano. Em seguida vieram as bigornas! Logo no ano que eu prometi para mim mesmo que não iria me envolver… Acabei percebendo que isso era o que eu mais queria que acontecesse. Me senti perdido, rodando sem parar nesse carrossel de emoções. Tonto e vomitando por todo lado.

Mas hoje, olhando em retrospecto, até que valeu. Erros honestos são bons, sempre acrescentam alguma coisa. Sempre deixam uma lição para ser aprendida. E terminei o ano mais perdido do que nunca, sem resposta para nada. No final, deve ser assim mesmo que as coisas funcionam. Talvez o truque seja não tentar entender, racionalizar. Simplesmente sentir e ver onde o rio vai desaguar. E tentar acertar uma vez ou outra.

Mas isso tudo já é passado. Ficou para trás e agora o palco está liberado para novas histórias. Esse ano de 2013 tenho a impressão de que será o ano do Sapo.

Assunto para um outro dia, talvez.

Há alguns anos eu coloquei na minha cabeça que queria trabalhar com animação. Assim como os quadrinhos, desenhos animados sempre foram uma paixão. Na época que resolvi aprender, eu estava super influenciado pelas coisas que os irmãos Piologo faziam no Mundo Canibal. Ao assistir uma entrevista dos caras, soube que era possível, mesmo com poucas pessoas (ou apenas uma pessoa, no meu caso) fazer animações.
Determinado e empolgado, comprei os livros deles que ensinavam a mexer no Flash, o programa que os irmãos utilizavam para montar tudo no computador. Desenhar eu já desenhava (meia boca, mas desenhava) e intuitivamente, sem saber muito bem, fui lá e fiz.
Aprendi o programa e fiz minha primeira animação (que desapareceu no limbo de algum hd formatado).
A minha segunda tentativa vocês podem conferir abaixo:

Dá pra perceber a falta de ritmo e como a animação não tem nada de muito, ahm, “animada”. E o que eram as vozes… Mas eu era jovem, destemido, influenciável e só Deus poderia me julgar!
O engraçado é que o “Capa & Espada” foi pensado para ser uma série. Eu tenho os roteiros de uma dúzia de episódios prontos que nunca vão ver a luz do dia. Tudo bem, faz parte.
Depois dessa, cheguei a fazer algumas outras curtas apenas pra testar técnicas e ver o que funcionava ou não.
A última animação que eu fiz chama-se “Tá no Rock é pra se FU%%#$” e pode ser vista abaixo:

Novamente, segue a mesma linha de humor do Mundo Canibal, mas acho que ali estava começando a ficar tecnicamente interessante. Eu já sabia o que fazer, o tempo e trabalho que cada coisa dava e já tinha um esquema de trabalho.
E como outras coisas na vida, com o tempo acabei deixando as animações de lado. Talvez um dia eu retome, quem sabe?
Abaixo, esboços das reformulações dos meus personagens do “Capa & Espada” para o segundo episódio que nunca foi feito:

Minha contribuição pro #TMNTFriday do PinkVader.
Eu adorava o Krang estressadinho, achava o vilão mais maneiro das Tartarugas Ninja!

Sexta-feira passada fui ao 4º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica, que aconteceu aqui em Campos. Era feriado, eu estava com tempo livre e resolvi dar uma conferida no evento, que ainda por cima era próximo à minha casa. Por que não?

E me surpreendi. Ouvir as histórias e causos que esses caras contavam, como o Charles Duke, uma das poucas pessoas a pisar na lua (ok, o homem foi MESMO à lua. Acabaram as minhas dúvidas) ou a do brasileiro Marcos Pontes com sua superação pessoal e seu trabalho como astronauta foi uma experiência e tanto.

Mas a apresentação que mais me chamou a atenção foi a mais curta daquele dia. O palestrante se chamava Mike Simmons e falou um pouco sobre o seu projeto (Astronomers without Borders) de levar a astronomia a diversos países , incluindo aqueles  em que as pessoas não imaginam o que poderia ser um telescópio.

As histórias que ele contava e as fotos que mostrava do contato com essas pessoas e as expressões de surpresa, de se virem diante de algo novo, eram incríveis. A sensação de causar, de alguma forma, a diferença na vida de alguém é indescritível e emocionante. Sem comparação.
É perceber que tudo se trata do contato entres as pessoas, suas experiências e suas histórias.

Empolgado, espero que eu também consiga tocar as pessoas de alguma forma, contando as histórias das estrelas que estão brilhando ao meu redor.

Mais páginas estão a caminho!

A Ananda também estava por lá.

To Bruno: "Keep aiming for the star"