Domingo passado, estava no quarto lendo, quando comecei a prestar atenção ao berreiro na casa ao lado. A vizinha numa grande batalha, tentava dar remédio ao seu neto. O neto berrava, chorava, esperneava. Ela por sua vez, gritava furiosa pro menino ABRIR A BOCA.
Ela subia um tom, elezinho dois.

O remédio entrava, o pequenino cuspia.

Até que pelo cansaço, insistência (e ameaças de umas palmadas), o moleque cedeu e tomou o xarope vermelinho de morango. Ele não faz idéia, mas foi o melhor pra ele.

Não parece, mas esse texto é sobre design gráfico.

As vezes, essa postura se faz necessária, para nós designers.
Veja bem, não estou dizendo para que cheguemos ao cliente, com instinto matador e ódio no coração dizendo: “A melhor proposta é essa, ou você cala a boca e aceita, ou então o bicho vai pegar pro seu lado”. Nada de ameaçar palmadas!

E sim, depois de explicarmos quantas vezes necessárias, que fizemos pesquisa, que seguimos o briefing corretamente, para chegarmos à solução visual final para o seu problema específico, é a melhor possível. Explicar que nada ali é gratuito.

O cliente tem que perceber que o quê queremos é o melhor para o trabalho. Não perder tempo com joguinhos de ego e coisas do tipo: “essa cor é mais bonita que aquela outra.” (onde a “mais bonita” não faz sentido nenhum).

Quando você encontrar um cliente pirracento, dê a solução de aviãozinho que ele engole.

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