Arquivos para o mês de: maio, 2007

Era uma vez um rapazinho, lá pelos seus vinte-e-muitos-anos (quase trinta).
Trabalhava com arte, fazendo tudo quanto era possível nesse assunto: flyers, cartões de visita, convites, passando por anúncios de jornal, banners, outdoors e chegando a logomarcas.
Se achava bom nisso, e ai daquele que dissesse o contrário.
Para ele não existiam críticas.
Seu trabalho era irretocável.

Tinha toda uma aura superior, e fazia questão de deixá-la ser notada pelos outros seres (inferiores, diga-se de passagem).
Vivia constantemente em um carrossel de ego trips, em seu trono decorado com todos os degradés e texturas do mundo. Quem ousaria tirá-lo daquele altar estilizado, construído na última versão do seu programa vetorial favorito?

Certo dia, reparou que seus colegas de trabalho estavam conversando, parecendo estar no meio de algo importante. Como sempre quando isso acontecia, ele sabia que logo logo viriam pedir sua opinião sobre o projeto que estivessem fazendo no momento.
Era o óbvio, de praxe, que toda a parte criativa passasse por sua avaliação antes do fechamento dos projetos. Afinal ele era O designer.

E assim, não sendo a primeira (e nem provavelmente a última), um dos colegas, contendo risinhos debochados, o chamou para ver algo no seu computador. Os outros colegas na sala pararam o que estavam fazendo e ficaram prestando atenção.

“Sem mim eles ficariam perdidos…” imaginou, a caminho da mesa do outro rapaz. Olhando para a tela, o colega perguntou:

– Joaquim, o que você acha disso?

– Uhm… Ficou um LIXO, ora pois pois!

A sala inteira explodiu em gargalhadas, inclusive o nosso caríssimo Joaquim, que enquanto voltava ao seu computador, pensou: “realmente, eles não saberiam o que fazer sem meu conhecimento. Esses micreiros…”

E no começo, existiam os rascunhos

Imagens inacabadas e mutáveis…

Onde tudo começa.