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Sexta-feira passada fui ao 4º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica, que aconteceu aqui em Campos. Era feriado, eu estava com tempo livre e resolvi dar uma conferida no evento, que ainda por cima era próximo à minha casa. Por que não?

E me surpreendi. Ouvir as histórias e causos que esses caras contavam, como o Charles Duke, uma das poucas pessoas a pisar na lua (ok, o homem foi MESMO à lua. Acabaram as minhas dúvidas) ou a do brasileiro Marcos Pontes com sua superação pessoal e seu trabalho como astronauta foi uma experiência e tanto.

Mas a apresentação que mais me chamou a atenção foi a mais curta daquele dia. O palestrante se chamava Mike Simmons e falou um pouco sobre o seu projeto (Astronomers without Borders) de levar a astronomia a diversos países , incluindo aqueles  em que as pessoas não imaginam o que poderia ser um telescópio.

As histórias que ele contava e as fotos que mostrava do contato com essas pessoas e as expressões de surpresa, de se virem diante de algo novo, eram incríveis. A sensação de causar, de alguma forma, a diferença na vida de alguém é indescritível e emocionante. Sem comparação.
É perceber que tudo se trata do contato entres as pessoas, suas experiências e suas histórias.

Empolgado, espero que eu também consiga tocar as pessoas de alguma forma, contando as histórias das estrelas que estão brilhando ao meu redor.

Mais páginas estão a caminho!

A Ananda também estava por lá.

To Bruno: "Keep aiming for the star"

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Desde o começo dos tempos, desde que o mundo é mundo o não estava lá. Do meteoro dando sua negativa evolutiva para os dinossauros aos cientistas com suas frustrações e burros n’água em suas pesquisas, o não é o que faz a roda girar.
E para nós, meros mortais, a coisa não é diferente.

A verdade é essa, e apesar do não ser aquilo que nos move e faz seguir em frente ninguém gosta de recebê-lo. Ele sempre costuma vir em uma roupagem estranha, em um traje que não é adequado à festa que você está.

Existem vários tipos de não. O incisivo, aquele que não nos dá chance de argumentar, nem de fazer nada para mudar seja lá o que quer que tenha acontecido. É simplesmente não e pronto. Quando você tenta retrucar, percebe que quanto mais mexer, mais vai feder, e só vai piorar a situação. Isso no campo amoroso é um desastre, puro azedume. É, todos passam por isso. Você não está só!

Mas sem dúvida, o mais dolorido dos nãos é aquele que aparenta ser sim. Quando mexe com os sentimentos da gente, principalmente. Ele consegue ultrapassar a barreira da frustração, alcançando sentimentos tão amargos que nem sequer existem nomes para descrevê-los. Faz a alma sangrar.

Você se pergunta o motivo disso estar acontecendo. Pode ser aquela garota incrível que você conheceu numa noite inesperada, e logo você, que não costuma se envolver, percebe-se numa situação completamente desesperadora querendo decifrar aquela estranha-perfeita, que mexe com seus sentidos e sentimentos de uma forma que explicação nenhuma pode dizer. E, pensando bem, nem de explicação precisa. Talvez esse seja o charme, o encanto da coisa.

Os olhares se cruzam e tudo faz sentido uma vez mais. E você está lá, perdidamente apaixonado por um ponto de interrogação que só te faz sorrir, que só te faz bem. Tudo mais está de ponta cabeça, o dentro está fora, e só o que você deseja na vida é um pouco mais daquilo. Seu cérebro está encharcado em dopamina. Inebriado, viciado. Deve ser pior que droga. Pior que droga… Uma coisa tão boa se tornar pior que droga. Como pode? Essa resposta acho que ninguém tem. É meio coisa de filme, vai saber…
E de repente, como num passe de mágica, tudo termina. Você fez contato, conheceu a ponta do iceberg mas não houve a oportunidade de ir a fundo. Logo quando você achava que valeria à pena, que dessa vez era a vez, tudo acaba. A sua linda e ainda misteriosa garota desaparece entre sombras e fumaça. Entrou na sua vida com o pé na porta e saiu sem dizer nada. Caiu o pano, finito.

Seus conhecidos dizem que é orgulho da sua parte, por não correr atrás, deixar as coisas passarem muito fácil, sem insistir, blá blá blá… Sei como é, eles falam besteira. Eu te entendo! Orgulho não é a melhor definição para a atitude que define sua postura diante dos nãos. Não. Talvez bom-senso seja a palavra que eles procuram. Mas o coração não tem bom senso, ele não entende orgulho, tempo e outras convenções. Tudo está de ponta cabeça, dentro é fora, lembra? Aí o que sobra, o que entra em ação é o doloroso processo de negação, onde a cabeça procura sobrepujar os sentimentos, evitando batalhas perdidas, murro em ponta de faca, essas coisas. O que não é pra ser, não é pra ser e pronto, ponto final. Uma vez mais você levanta a vela, iça a âncora e toca o barco, rumando pelo tortuoso mar revolto que se tornou sua vida, mas sabendo que deve seguir em frente. E sabe também que calmaria nunca levou ninguém a lugar nenhum. Mas às vezes, nas suas navegações em noites de luas azuis, você se pergunta “E se?”, “Até quando devo navegar?” “Até naufragar ou procurar um porto seguro?” Dúvidas, dúvidas…

A realidade é dura, mas também pode ser agradável. Existem muitas pessoas por aí, e você com certeza conhece um punhado delas que vivem cem por cento com os pés no chão, que suprimem toda a fantasia das suas existências e se esquecem de como isso pode ser bom.
Perdem, de propósito, a inocência e a magia das suas vidas (isso é assunto para um outro texto) com o objetivo de não se ferir mais. Gente pragmática, “prática”, que já não tem mais o prazer de se permitir, baixar a guarda e se expor. Como se expor àquela garota incrível que você conheceu na noite inesperada, que parece ser tão íntima e você não sabe nem explicar o porquê. Que não tem mais a capacidade de se apaixonar à primeira vista, da forma mais pura que existe. Tudo bem, entendo que não dá pra viver num mundo de faz de contas, na “Disney do cotidiano”, mas o equilíbrio entre realidade e fantasia é que faz a vida ter graça e encanto, que tornam as coisas corriqueiras em especiais. Ótimos exemplos podem ser lembrados da sua infância, época em que tudo é aprendizado, tudo é magnífico. “Tudo é bonito e encantado quando se é criança e está apaixonado”.
Nunca deixar essa parte sumir da vida que é o grande desafio, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Todos odeiam ouvir nãos. Todos detestam perder. Mas a maneira como você lida com isso é que define todo o resto. Você odeia se sentir como está se sentindo. O gosto amargo ainda está lá. Mas vai passar.

Só que, por enquanto, você ainda não sabe disso.

Dedicado a (e inspirado por) Beatriz
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Mais Uma Vez (Pela Última Vez)

I – Festa ao Luar

Já era o quinto drink que Paulo tomava naquela noite. Ou sexto. Aquela altura do campeonato ele já não sabia ao certo. Tudo o que parecia importar era o fato de estar com Duda.
A Garota.
Era numa noite de lua cheia, infernalmente abafada e perfeita em uma festa de música duvidosa à beira-mar.
Beijaram-se sob a luz do luar.
“O mundo é perfeito”, Paulo imaginou.

 

II – E o Fim de Semana?

Todo começo de ano é a mesma coisa. Promessas feitas para serem cumpridas nos próximos trezentos e sessenta compridos dias, resoluções, muita motivação. Com Paulo não foi diferente desta vez.

Trabalhava numa agência de publicidade em São Paulo. Mesmo não sendo paulistano, já vivia há tanto tempo na cidade que já tinha adquirido todos os hábitos e costumes da capital-correria.
Primeira semana de janeiro. Começo de ano. Era verão, Paulo tinha uma folga e dinheiro sobrando.
Coisa rara de acontecer.

-E o fim de semana? No fim de semana eu vou à Praia, João! Dar uma desligada, uma espairecida…
Ele respondeu ao seu amigo – o João – que iria ficar na cidade.
-Praia… Quem me dera… Paulo, faça o favor de trazer uma lembrancinha pro seu amigão aqui. Sabe como é, pra que pelo menos eu sinta como se tivesse ido também. Praia… Como preciso de uma praia, meu Deus…
Paulo riu do amigo e balançou a cabeça em concordância.

As horas pareciam se arrastar e o dia não acabava nunca. Mas já estava tudo certo: mala feita, passagens compradas. Chegando a hora, era só passar no seu apartamento, tomar banho, comer alguma coisa, pegar tudo e ir para o aeroporto.

A Praia o esperava de braços abertos.

 

III – Você Roubou Meus Olhos

Naquela mesma noite, Paulo chegou ao seu destino. Chegou à Praia. Desembarcou e seguiu direto para a pousada onde ficaria hospedado.
“Viajar é um barato!” ele pensou.

Paulo era solteiro, no auge dos seus 27 anos. Adorava viajar, sair com os amigos para as noitadas… Enfim, tudo que um cara solteiro com seus vinte e poucos anos geralmente costuma fazer. Queria mais aproveitar a vida! Era um sujeito carismático, uma pena que a maioria das pessoas só enxergavam a superfície, em duas dimensões e em preto e branco. Era sempre o engraçadinho, bonitinho, que “só falava besteira”.

“Uma pena”, ele pensava, mas no fundo, sabia que essa imagem que ele passava era sua culpa. Culpa dele também era seu problema em manter relacionamentos.Vivia em eternos enrolos, sem nunca de fato ter tido alguma coisa realmente séria.

Esse era o Paulo. Culpado. Culpado. Culpado. Mas, assim como todo mundo, ele só queria amar e ser amado.
Já na pousada, subiu e seguiu para o seu quarto. Arrumou suas coisas por lá, se preparou e foi descobrir o que a Praia tinha.
Na portaria, enturmou-se rapidamente com os outros turistas e entre uma bebida e outra descobriu que haveria uma festa à beira-mar, e que pela empolgação dos colegas de pousada parecia que seria bem divertida (apesar dele não gostar muito do estilo musical que iria ser tocado). Bebeu mais algumas cervejas com os outros e foram andando para o local, que era próximo à pousada.

Já tinha passado algum tempo na festa. Bebeu, conversou com o pessoal, curtiu o visual, bebeu e bebeu. Já estava no clima mas achava que a festa (nem cheia nem vazia) foi ficando chata. Iria beber mais algumas e voltaria para a pousada, descansar para acordar cedo no dia seguinte. Aproveitar o sol, o mar, a vista… Soava como um plano em sua mente.

Foi quando Paulo a viu.
E tudo mudou.

 

IV – 18

Maria Eduarda. Eduarda. Duda. Era como ela se chamava. Destoava completamente das outras garotas daquele lugar, como uma bela rosa em um terreno árido. Lá estava ela, linda, em três dimensões estourando em technicolor, bem na sua frente.

Paulo estava em transe.

Precisava fazer alguma coisa, ou seria como se aquele momento nunca tivesse existido.
E ele fez. Fez aquilo que era o mais natural do seu ser.
Paulo sorriu!

Ela fez cara de ponto de interrogação e se aproximou.
-Por que você está rindo de mim?
Perguntou Duda, mas Paulo ainda não havia descoberto seu nome. Mas descobrira o seu perfume – e Deus – existia alguma coisa melhor que aquilo?
-Não estou rindo de você, e sim da expressão que você fez ao ver sua amiga conversando com aquele cara…
-Aham, sei…
Ela fez uma expressão irônica e sorriu. E o mundo sorriu junto para Paulo. Se dependesse dele, pararia o tempo ali mesmo. Como não tinha meios para fazer isso (empalhar a pobre coitada estava fora de cogitação), tratou de tirar fotos mentais daquele momento – todas que pudesse e o nível alcoólico permitisse. Prosseguiu com a conversa:
-Escuta, você também está com cara de quem tá entediada com essa música…
-É… Eu não curto esse tipo de som. Ainda bem que encontrei alguém com a mesma opinião, não é verdade?

Se apresentaram formalmente e continuaram conversando. O som estava alto. Ele sugeriu que se afastassem um pouco do palco para conversarem melhor. Duda segurou-o pela mão e foram até as mesas que estavam um pouco mais afastadas, onde continuaram a falar, e falar, e falar, animadíssimos. Conversaram primeiro sobre música, perceberam que tinham muito em comum nesse assunto. Ela era jovem, inteligente, esperta, divertida. Paulo era só sorrisos, estava flutuando (talvez a quantidade de bebida tenha atenuado essa sensação).

Lá pelas tantas, a troca de olhares, sorrisos e afagos já denunciava o que viria a seguir.
Beijaram-se.
Pela segunda vez naquela noite, Paulo queria que o tempo parasse…

Ele descobriu que ela morava em outra cidade. No Rio de Janeiro. Ambos tinham consciência que aquilo não tinha sido feito para durar. Ela iria embora. “Como sempre, não é Paulo?” ele pensou. Pegaria o telefone daquela menina de dezoito anos e talvez nunca mais a visse na vida. Talvez ele estivesse empolgado de mais. Mas para Paulo isso pouco importava, pois no final das contas tudo acabava mesmo. O que importava de verdade era aproveitar o momento ao máximo.

E novamente beijaram-se, sorriram, passearam…

 

V – Dipirona Sódica

O dia seguinte passou voando na Praia. A noite anterior, por mais perfeita que tivesse sido, acabara. Ele tinha o número de Duda, mas a cobertura naquele lugar estava péssima. Celulares incomunicáveis. Não conseguiu falar com ela, nem ao menos ouvir sua voz. Sentiu-se angustiado. Pensava em como poderia ir embora e não encontrar aquela menina de novo… E sentiu-se mais angustiado ainda.

Saiu da pousada rumo a beira mar. Passeou pela faixa de areia, de olhos bem abertos mas não a encontrou. Celular fora de área ainda. A manhã ensolarada virou tarde e nada, nem uma pista de como encontrá-la.

A noite chegou e com ela mais uma festa, que não teve a menor graça pois Duda não estava lá. Fim de festa, frustração. Paulo retornou extremamente bêbado para a pousada e foi direto para cama. Adormeceu em dois segundos e sonhou como aquela noite realmente deveria ter sido. Imaginou a vida como um filme de romance com final feliz. Uma pena que coisas assim não existam.

No outro dia Paulo acordou tarde, de ressaca e ligeiramente atrasado para seu vôo de volta para São Paulo. Iria voltar pra casa mas seu coração ficaria na Praia, estava arrasado por não ter encontrado Duda de novo. Não deu nem para se despedir. Arrumou suas coisas bem rápido, almoçou e aeroporto.

Já no caminho de volta para São Paulo sua lembrança o jogou novamente para aquele dia que conhecera A Garota. Sorrisinho no rosto. Tinha valido a pena. Tentaria manter contato quando chegasse à casa, porque, pensava, todas as pessoas que entram em nossas vidas e nos marcam de alguma forma não podem cair no baú empoeirado do esquecimento. As especiais precisam permanecer vivas na realidade, principalmente nesses dias, onde tudo começa e termina tão rápido. Tudo o que marca merece ser celebrado e mantido vivo. Continuava com aquele sorrisinho besta no rosto, observando as nuvens pela janela do avião e em todas só via o rosto de Duda, seu sorriso, o modo como mexia o cabelo, seu olhar…

Dessa vez, ele pensou, não iria deixar acontecer como das outras vezes em que passara por situação semelhante. Não iria permitir que “efeito Novalgina” tomasse conta, como ele costumava dizer. O tal “Efeito Novalgina” era a expressão que ele utilizava para descrever quando algo começava doce e logo se tornava insuportavelmente amargo, assim como o remédio. Mas dessa vez não. Dessa vez eram só sorrisos. Dessa vez ele iria atrás de Maria Eduarda. Não a esqueceria!

Mas o presente do seu amigo João, esse ele esqueceu mesmo e nunca mais lembrou.

Escrevi esse texto para um trabalho da pós graduação. O objetivo era criar uma narrativa que abordasse a questão da linguagem não-verbal.
Fiz do meu jeito e achei que ficou legal. Mais um post sem imagens e desenhos, mas logo eles voltam.

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Fala que Eu te Escuto

José Luis era o que poderia ser chamado de funcionário exemplar. De verdade. Ele costumava ganhar todos os prêmios, méritos, destaques do mês ou qualquer outra forma de bonificação que a empresa fornecesse. O motivo de seu grande êxito profissional, talvez, se deva ao seu esforço sobre-humano perante as tarefas do escritório. Ele fazia o impossível para sempre estar um passo a frente, de forma que sua limitação passasse desapercebida…

Nosso amigo é funcionário da Chavez&Chavez, companhia fabricante dos mais variados tipos de papel. No passado, uma gigante do setor. Hoje, apenas uma sombra do que já foi um dia, tendo que encarar a pior crise da história da indústria gráfica.

Era mais uma segunda-feira como todas as outras. Seis horas e trinta minutos, em ponto o despertador tocou. José Luis abriu os olhos, espreguiçou-se e foi tomar banho. Barba feita, banho e café tomado, estava pronto para mais um dia de trabalho.

Costumava sempre começar o dia cumprimentando todos do seu setor (ele era chefe do departamento de papéis especiais). Fazia a linha “portas abertas” com seus comandados. Todos tinham liberdade para conversar com ele a qualquer momento. José Luis passava pelo setor para saber como estava indo o trabalho do pessoal quando Afonso – um integrante da sua equipe – perguntou:
– Zé, ontem eu não consegui fechar com aquele cliente grande. O cara simplesmente não queria comprar nada… falou que era a crise… Bom, hoje eu vou tentar com um cliente menor para a gente não ficar – muito – no prejuízo, ok?
José ponderou e fez um sinal de positivo para Afonso. A medida que o dia ia passando, outros funcionários pediam sua ajuda. Ele acenava, mandava esperar, dava “positivos” e “negativos” quando achava que devia dar, mandava voltar…

Muito trabalho, muita crise, pouco resultado. As coisas não estavam fáceis para ele. Mas era um sujeito positivo, sempre tudo dava certo no final.
A noite caíra e o José estava se sentindo um trapo, exausto. Faltava pouco para o fim do expediente quando Carlos – seu chefe na empresa – o chamou para ir a sua sala.
José Luis já estava acostumado. Já fora àquela sala diversas vezes. Já imaginava o que iria acontecer: era chegado o momento de ele receber mais uma bonificação, mais uma congratulação pelo seu desempenho. Sim, pois afinal, mesmo atravessando tempos difíceis, (olha a crise!) cheios de contratempos, com seu setor dando mais prejuízo do que qualquer outra coisa, Carlos veria o quão esforçado e empenhado o Zé estava sendo.

Ora bolas, não poderia esperar outra coisa do Carlinhos, aquele boa praça, não era mesmo?

Trinta minutos se passaram quando o Zé saiu da sala do Carlinhos. Mas alguma coisa estava errada. Ele estava com um semblante arrasado (o Zé, não o Carlinhos), de ombros caídos. Completamente abatido.

Afonso, que sempre falava pelos cotovelos, perguntou:
– E aí, Zé?! Tá tudo bem? Conseguiu mais uma condecoração? Nossa equipe tá mandando muito bem, né?! Tá certo que ultimamente só temos dado prejuízo à companhia, mas isso vai mudar! A gente sempre trabalhou sup…

José tinha feito um sinal pro seu colega parar de falar. Em seguida, como querendo explicar o que havia acontecido na sala de Carlos, fez um gesto como se cortasse a própria garganta e, em seguida, um sinal politicamente incorreto que envolvia bater uma das mãos aberta na outra fechada, repetidas vezes,  apontando para todos da sua equipe.

A ficha caiu para o “Afonsinho”.
Estavam no olho da rua, sem eira nem beira.
José Luis arrumou todas as suas coisas e saiu. Saiu muito triste e sem olhar para trás. Saiu da companhia assim como entrou, sem dizer uma só palavra.

Também pudera, o pobre coitado era mudo.

“…It’s time to let your hair down
And give yourself permission
It takes courage and control
but you start by letting go”
Música: Courage and Control por Brandon Boyd, do disco The Wild Trapeze (2010)

Um novo ano se aproxima e com ele a possibilidade de se fazer mais, melhor, de querer mais (seja lá o que for).
O ano que está acabando, pra mim, foi sombrio. De longe o pior de todos os tempos. E espero com esse novo ano bons ventos e mudança.

2011. Nova década, novas possibilidades, novos tempos. Um dos principais motivos de eu gostar da data é esse: tudo é novo! Um livro com páginas em branco aberto na frente de todos nós, esperando para ser escrito. Sensação ótima de renovação.
Começar de novo. Começar com o pé direito. Começar do zero, por que não?

Como diz a música, basta coragem para fazer aquilo que deve ser feito e controle para não perder o foco, para nortear as ações. Mas para começar esse caminho é necessário  deixar pra trás tudo o que passou. É hora de olhar pra frente e não pra trás.

Feliz 2011! Que seja excelente para todos nós!

Ps: Queria que estivesse aqui comigo para ver o que vem pela frente. Saudades.

Nos últimos dias vem aparecendo várias oportunidades no mercado de quadrinhos brasileiro.
Como por exemplo o concurso da editora Barba Negra, com premiação no valor de R$ 20.000,00.
Tem também o Prêmio Abril de Personagens, mas esse o prazo de inscrição se encerra agora dia 19 de dezembro.
O Maurício de Souza comentou no seu Twitter  (@mauriciodesousa) que , em breve no seu estúdio, abrirá vagas  para contratação de roteiristas e artistas para trabalhar nas revistas da Turma da Mônica e Turma da Mônica Jovem. O Sidney Gusman (@sidneygusman) ficou de anunciar essa semana como se dará o processo.
E aí? Mãos à obra?

Muito bem, quem nunca se sentiu sozinho no meio de uma multidão?
É mais ou menos assim que a vida funciona.
Uma hora você está lá, fazendo sua parte, mantendo essa engrenagem rodando pra grande máquina não parar.
Assim como você, eu sou apenas mais um no meio dessa bagunça toda, fazendo a minha parte.
Você e eu somos apenas mais uma engrenagem no meio de tantas outras.

Eu vou estar lá pra rir com você. Pra rir de você. E você fará o mesmo.
Eventualmente você vai se machucar. Vai por a culpa em mim, e as vezes ela até será.
Não que eu tenha tido a intenção de fazer algum mal a alguém como você, longe de mim…
Eu nunca vou ter a intenção de te causar mal algum.
Só que, como sabemos, de boas intenções o inferno está cheio.

Assim como você, eu acerto e erro, dou um passo pra frente e quarenta e sete pra trás. Uma conquista aqui e um monte de perdas acolá. Mas é a vida que eu e você temos que levar. Pra sempre equilibrando essa balança desigual, fazendo de tudo para os pratos não caírem.
Eu e você somos iguais.
Iguaizinhos.

Posso ser seu amigo.
Posso não ser mais seu amigo.
E mesmo assim daremos conselhos. Mas como todos sabem, conselhos não servem pra nada. Mas tanto eu quanto você, sempre, eu digo sempre, vomitaremos eles por aí, a torto e a direito. Regras que não servem nem pra nós mesmos, quanto mais para os outros.

Serei aquele que, com o tempo, verá os defeitos em você. E também com o tempo, você pode conseguir se aproximar de mim. Mas tenha cuidado, provavelmente você não vai gostar muito do que verá.

Em algum momento, você irá e eu vou ficar. Ou vice e versa. E talvez, possamos nos reencontrar lá na frente. Só que aí eu já não serei mais o mesmo. Nem você.

Por fim, nos tornaremos novamente mais um no meio de tantos. Sendo apenas mais um qualquer naquela bagunça toda, colocando a máquina pra funcionar.
Cumprindo nosso papel.
Engrenagens girando.
Sozinhos na multidão.
Cada peça no seu lugar.

O lugar onde uma pessoa, apenas uma, pode fazer toda a diferença.