Desde o começo dos tempos, desde que o mundo é mundo o não estava lá. Do meteoro dando sua negativa evolutiva para os dinossauros aos cientistas com suas frustrações e burros n’água em suas pesquisas, o não é o que faz a roda girar.
E para nós, meros mortais, a coisa não é diferente.

A verdade é essa, e apesar do não ser aquilo que nos move e faz seguir em frente ninguém gosta de recebê-lo. Ele sempre costuma vir em uma roupagem estranha, em um traje que não é adequado à festa que você está.

Existem vários tipos de não. O incisivo, aquele que não nos dá chance de argumentar, nem de fazer nada para mudar seja lá o que quer que tenha acontecido. É simplesmente não e pronto. Quando você tenta retrucar, percebe que quanto mais mexer, mais vai feder, e só vai piorar a situação. Isso no campo amoroso é um desastre, puro azedume. É, todos passam por isso. Você não está só!

Mas sem dúvida, o mais dolorido dos nãos é aquele que aparenta ser sim. Quando mexe com os sentimentos da gente, principalmente. Ele consegue ultrapassar a barreira da frustração, alcançando sentimentos tão amargos que nem sequer existem nomes para descrevê-los. Faz a alma sangrar.

Você se pergunta o motivo disso estar acontecendo. Pode ser aquela garota incrível que você conheceu numa noite inesperada, e logo você, que não costuma se envolver, percebe-se numa situação completamente desesperadora querendo decifrar aquela estranha-perfeita, que mexe com seus sentidos e sentimentos de uma forma que explicação nenhuma pode dizer. E, pensando bem, nem de explicação precisa. Talvez esse seja o charme, o encanto da coisa.

Os olhares se cruzam e tudo faz sentido uma vez mais. E você está lá, perdidamente apaixonado por um ponto de interrogação que só te faz sorrir, que só te faz bem. Tudo mais está de ponta cabeça, o dentro está fora, e só o que você deseja na vida é um pouco mais daquilo. Seu cérebro está encharcado em dopamina. Inebriado, viciado. Deve ser pior que droga. Pior que droga… Uma coisa tão boa se tornar pior que droga. Como pode? Essa resposta acho que ninguém tem. É meio coisa de filme, vai saber…
E de repente, como num passe de mágica, tudo termina. Você fez contato, conheceu a ponta do iceberg mas não houve a oportunidade de ir a fundo. Logo quando você achava que valeria à pena, que dessa vez era a vez, tudo acaba. A sua linda e ainda misteriosa garota desaparece entre sombras e fumaça. Entrou na sua vida com o pé na porta e saiu sem dizer nada. Caiu o pano, finito.

Seus conhecidos dizem que é orgulho da sua parte, por não correr atrás, deixar as coisas passarem muito fácil, sem insistir, blá blá blá… Sei como é, eles falam besteira. Eu te entendo! Orgulho não é a melhor definição para a atitude que define sua postura diante dos nãos. Não. Talvez bom-senso seja a palavra que eles procuram. Mas o coração não tem bom senso, ele não entende orgulho, tempo e outras convenções. Tudo está de ponta cabeça, dentro é fora, lembra? Aí o que sobra, o que entra em ação é o doloroso processo de negação, onde a cabeça procura sobrepujar os sentimentos, evitando batalhas perdidas, murro em ponta de faca, essas coisas. O que não é pra ser, não é pra ser e pronto, ponto final. Uma vez mais você levanta a vela, iça a âncora e toca o barco, rumando pelo tortuoso mar revolto que se tornou sua vida, mas sabendo que deve seguir em frente. E sabe também que calmaria nunca levou ninguém a lugar nenhum. Mas às vezes, nas suas navegações em noites de luas azuis, você se pergunta “E se?”, “Até quando devo navegar?” “Até naufragar ou procurar um porto seguro?” Dúvidas, dúvidas…

A realidade é dura, mas também pode ser agradável. Existem muitas pessoas por aí, e você com certeza conhece um punhado delas que vivem cem por cento com os pés no chão, que suprimem toda a fantasia das suas existências e se esquecem de como isso pode ser bom.
Perdem, de propósito, a inocência e a magia das suas vidas (isso é assunto para um outro texto) com o objetivo de não se ferir mais. Gente pragmática, “prática”, que já não tem mais o prazer de se permitir, baixar a guarda e se expor. Como se expor àquela garota incrível que você conheceu na noite inesperada, que parece ser tão íntima e você não sabe nem explicar o porquê. Que não tem mais a capacidade de se apaixonar à primeira vista, da forma mais pura que existe. Tudo bem, entendo que não dá pra viver num mundo de faz de contas, na “Disney do cotidiano”, mas o equilíbrio entre realidade e fantasia é que faz a vida ter graça e encanto, que tornam as coisas corriqueiras em especiais. Ótimos exemplos podem ser lembrados da sua infância, época em que tudo é aprendizado, tudo é magnífico. “Tudo é bonito e encantado quando se é criança e está apaixonado”.
Nunca deixar essa parte sumir da vida que é o grande desafio, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Todos odeiam ouvir nãos. Todos detestam perder. Mas a maneira como você lida com isso é que define todo o resto. Você odeia se sentir como está se sentindo. O gosto amargo ainda está lá. Mas vai passar.

Só que, por enquanto, você ainda não sabe disso.

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Dedicado a (e inspirado por) Beatriz
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Mais Uma Vez (Pela Última Vez)

I – Festa ao Luar

Já era o quinto drink que Paulo tomava naquela noite. Ou sexto. Aquela altura do campeonato ele já não sabia ao certo. Tudo o que parecia importar era o fato de estar com Duda.
A Garota.
Era numa noite de lua cheia, infernalmente abafada e perfeita em uma festa de música duvidosa à beira-mar.
Beijaram-se sob a luz do luar.
“O mundo é perfeito”, Paulo imaginou.

 

II – E o Fim de Semana?

Todo começo de ano é a mesma coisa. Promessas feitas para serem cumpridas nos próximos trezentos e sessenta compridos dias, resoluções, muita motivação. Com Paulo não foi diferente desta vez.

Trabalhava numa agência de publicidade em São Paulo. Mesmo não sendo paulistano, já vivia há tanto tempo na cidade que já tinha adquirido todos os hábitos e costumes da capital-correria.
Primeira semana de janeiro. Começo de ano. Era verão, Paulo tinha uma folga e dinheiro sobrando.
Coisa rara de acontecer.

-E o fim de semana? No fim de semana eu vou à Praia, João! Dar uma desligada, uma espairecida…
Ele respondeu ao seu amigo – o João – que iria ficar na cidade.
-Praia… Quem me dera… Paulo, faça o favor de trazer uma lembrancinha pro seu amigão aqui. Sabe como é, pra que pelo menos eu sinta como se tivesse ido também. Praia… Como preciso de uma praia, meu Deus…
Paulo riu do amigo e balançou a cabeça em concordância.

As horas pareciam se arrastar e o dia não acabava nunca. Mas já estava tudo certo: mala feita, passagens compradas. Chegando a hora, era só passar no seu apartamento, tomar banho, comer alguma coisa, pegar tudo e ir para o aeroporto.

A Praia o esperava de braços abertos.

 

III – Você Roubou Meus Olhos

Naquela mesma noite, Paulo chegou ao seu destino. Chegou à Praia. Desembarcou e seguiu direto para a pousada onde ficaria hospedado.
“Viajar é um barato!” ele pensou.

Paulo era solteiro, no auge dos seus 27 anos. Adorava viajar, sair com os amigos para as noitadas… Enfim, tudo que um cara solteiro com seus vinte e poucos anos geralmente costuma fazer. Queria mais aproveitar a vida! Era um sujeito carismático, uma pena que a maioria das pessoas só enxergavam a superfície, em duas dimensões e em preto e branco. Era sempre o engraçadinho, bonitinho, que “só falava besteira”.

“Uma pena”, ele pensava, mas no fundo, sabia que essa imagem que ele passava era sua culpa. Culpa dele também era seu problema em manter relacionamentos.Vivia em eternos enrolos, sem nunca de fato ter tido alguma coisa realmente séria.

Esse era o Paulo. Culpado. Culpado. Culpado. Mas, assim como todo mundo, ele só queria amar e ser amado.
Já na pousada, subiu e seguiu para o seu quarto. Arrumou suas coisas por lá, se preparou e foi descobrir o que a Praia tinha.
Na portaria, enturmou-se rapidamente com os outros turistas e entre uma bebida e outra descobriu que haveria uma festa à beira-mar, e que pela empolgação dos colegas de pousada parecia que seria bem divertida (apesar dele não gostar muito do estilo musical que iria ser tocado). Bebeu mais algumas cervejas com os outros e foram andando para o local, que era próximo à pousada.

Já tinha passado algum tempo na festa. Bebeu, conversou com o pessoal, curtiu o visual, bebeu e bebeu. Já estava no clima mas achava que a festa (nem cheia nem vazia) foi ficando chata. Iria beber mais algumas e voltaria para a pousada, descansar para acordar cedo no dia seguinte. Aproveitar o sol, o mar, a vista… Soava como um plano em sua mente.

Foi quando Paulo a viu.
E tudo mudou.

 

IV – 18

Maria Eduarda. Eduarda. Duda. Era como ela se chamava. Destoava completamente das outras garotas daquele lugar, como uma bela rosa em um terreno árido. Lá estava ela, linda, em três dimensões estourando em technicolor, bem na sua frente.

Paulo estava em transe.

Precisava fazer alguma coisa, ou seria como se aquele momento nunca tivesse existido.
E ele fez. Fez aquilo que era o mais natural do seu ser.
Paulo sorriu!

Ela fez cara de ponto de interrogação e se aproximou.
-Por que você está rindo de mim?
Perguntou Duda, mas Paulo ainda não havia descoberto seu nome. Mas descobrira o seu perfume – e Deus – existia alguma coisa melhor que aquilo?
-Não estou rindo de você, e sim da expressão que você fez ao ver sua amiga conversando com aquele cara…
-Aham, sei…
Ela fez uma expressão irônica e sorriu. E o mundo sorriu junto para Paulo. Se dependesse dele, pararia o tempo ali mesmo. Como não tinha meios para fazer isso (empalhar a pobre coitada estava fora de cogitação), tratou de tirar fotos mentais daquele momento – todas que pudesse e o nível alcoólico permitisse. Prosseguiu com a conversa:
-Escuta, você também está com cara de quem tá entediada com essa música…
-É… Eu não curto esse tipo de som. Ainda bem que encontrei alguém com a mesma opinião, não é verdade?

Se apresentaram formalmente e continuaram conversando. O som estava alto. Ele sugeriu que se afastassem um pouco do palco para conversarem melhor. Duda segurou-o pela mão e foram até as mesas que estavam um pouco mais afastadas, onde continuaram a falar, e falar, e falar, animadíssimos. Conversaram primeiro sobre música, perceberam que tinham muito em comum nesse assunto. Ela era jovem, inteligente, esperta, divertida. Paulo era só sorrisos, estava flutuando (talvez a quantidade de bebida tenha atenuado essa sensação).

Lá pelas tantas, a troca de olhares, sorrisos e afagos já denunciava o que viria a seguir.
Beijaram-se.
Pela segunda vez naquela noite, Paulo queria que o tempo parasse…

Ele descobriu que ela morava em outra cidade. No Rio de Janeiro. Ambos tinham consciência que aquilo não tinha sido feito para durar. Ela iria embora. “Como sempre, não é Paulo?” ele pensou. Pegaria o telefone daquela menina de dezoito anos e talvez nunca mais a visse na vida. Talvez ele estivesse empolgado de mais. Mas para Paulo isso pouco importava, pois no final das contas tudo acabava mesmo. O que importava de verdade era aproveitar o momento ao máximo.

E novamente beijaram-se, sorriram, passearam…

 

V – Dipirona Sódica

O dia seguinte passou voando na Praia. A noite anterior, por mais perfeita que tivesse sido, acabara. Ele tinha o número de Duda, mas a cobertura naquele lugar estava péssima. Celulares incomunicáveis. Não conseguiu falar com ela, nem ao menos ouvir sua voz. Sentiu-se angustiado. Pensava em como poderia ir embora e não encontrar aquela menina de novo… E sentiu-se mais angustiado ainda.

Saiu da pousada rumo a beira mar. Passeou pela faixa de areia, de olhos bem abertos mas não a encontrou. Celular fora de área ainda. A manhã ensolarada virou tarde e nada, nem uma pista de como encontrá-la.

A noite chegou e com ela mais uma festa, que não teve a menor graça pois Duda não estava lá. Fim de festa, frustração. Paulo retornou extremamente bêbado para a pousada e foi direto para cama. Adormeceu em dois segundos e sonhou como aquela noite realmente deveria ter sido. Imaginou a vida como um filme de romance com final feliz. Uma pena que coisas assim não existam.

No outro dia Paulo acordou tarde, de ressaca e ligeiramente atrasado para seu vôo de volta para São Paulo. Iria voltar pra casa mas seu coração ficaria na Praia, estava arrasado por não ter encontrado Duda de novo. Não deu nem para se despedir. Arrumou suas coisas bem rápido, almoçou e aeroporto.

Já no caminho de volta para São Paulo sua lembrança o jogou novamente para aquele dia que conhecera A Garota. Sorrisinho no rosto. Tinha valido a pena. Tentaria manter contato quando chegasse à casa, porque, pensava, todas as pessoas que entram em nossas vidas e nos marcam de alguma forma não podem cair no baú empoeirado do esquecimento. As especiais precisam permanecer vivas na realidade, principalmente nesses dias, onde tudo começa e termina tão rápido. Tudo o que marca merece ser celebrado e mantido vivo. Continuava com aquele sorrisinho besta no rosto, observando as nuvens pela janela do avião e em todas só via o rosto de Duda, seu sorriso, o modo como mexia o cabelo, seu olhar…

Dessa vez, ele pensou, não iria deixar acontecer como das outras vezes em que passara por situação semelhante. Não iria permitir que “efeito Novalgina” tomasse conta, como ele costumava dizer. O tal “Efeito Novalgina” era a expressão que ele utilizava para descrever quando algo começava doce e logo se tornava insuportavelmente amargo, assim como o remédio. Mas dessa vez não. Dessa vez eram só sorrisos. Dessa vez ele iria atrás de Maria Eduarda. Não a esqueceria!

Mas o presente do seu amigo João, esse ele esqueceu mesmo e nunca mais lembrou.

Escrevi esse texto para um trabalho da pós graduação. O objetivo era criar uma narrativa que abordasse a questão da linguagem não-verbal.
Fiz do meu jeito e achei que ficou legal. Mais um post sem imagens e desenhos, mas logo eles voltam.

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Fala que Eu te Escuto

José Luis era o que poderia ser chamado de funcionário exemplar. De verdade. Ele costumava ganhar todos os prêmios, méritos, destaques do mês ou qualquer outra forma de bonificação que a empresa fornecesse. O motivo de seu grande êxito profissional, talvez, se deva ao seu esforço sobre-humano perante as tarefas do escritório. Ele fazia o impossível para sempre estar um passo a frente, de forma que sua limitação passasse desapercebida…

Nosso amigo é funcionário da Chavez&Chavez, companhia fabricante dos mais variados tipos de papel. No passado, uma gigante do setor. Hoje, apenas uma sombra do que já foi um dia, tendo que encarar a pior crise da história da indústria gráfica.

Era mais uma segunda-feira como todas as outras. Seis horas e trinta minutos, em ponto o despertador tocou. José Luis abriu os olhos, espreguiçou-se e foi tomar banho. Barba feita, banho e café tomado, estava pronto para mais um dia de trabalho.

Costumava sempre começar o dia cumprimentando todos do seu setor (ele era chefe do departamento de papéis especiais). Fazia a linha “portas abertas” com seus comandados. Todos tinham liberdade para conversar com ele a qualquer momento. José Luis passava pelo setor para saber como estava indo o trabalho do pessoal quando Afonso – um integrante da sua equipe – perguntou:
– Zé, ontem eu não consegui fechar com aquele cliente grande. O cara simplesmente não queria comprar nada… falou que era a crise… Bom, hoje eu vou tentar com um cliente menor para a gente não ficar – muito – no prejuízo, ok?
José ponderou e fez um sinal de positivo para Afonso. A medida que o dia ia passando, outros funcionários pediam sua ajuda. Ele acenava, mandava esperar, dava “positivos” e “negativos” quando achava que devia dar, mandava voltar…

Muito trabalho, muita crise, pouco resultado. As coisas não estavam fáceis para ele. Mas era um sujeito positivo, sempre tudo dava certo no final.
A noite caíra e o José estava se sentindo um trapo, exausto. Faltava pouco para o fim do expediente quando Carlos – seu chefe na empresa – o chamou para ir a sua sala.
José Luis já estava acostumado. Já fora àquela sala diversas vezes. Já imaginava o que iria acontecer: era chegado o momento de ele receber mais uma bonificação, mais uma congratulação pelo seu desempenho. Sim, pois afinal, mesmo atravessando tempos difíceis, (olha a crise!) cheios de contratempos, com seu setor dando mais prejuízo do que qualquer outra coisa, Carlos veria o quão esforçado e empenhado o Zé estava sendo.

Ora bolas, não poderia esperar outra coisa do Carlinhos, aquele boa praça, não era mesmo?

Trinta minutos se passaram quando o Zé saiu da sala do Carlinhos. Mas alguma coisa estava errada. Ele estava com um semblante arrasado (o Zé, não o Carlinhos), de ombros caídos. Completamente abatido.

Afonso, que sempre falava pelos cotovelos, perguntou:
– E aí, Zé?! Tá tudo bem? Conseguiu mais uma condecoração? Nossa equipe tá mandando muito bem, né?! Tá certo que ultimamente só temos dado prejuízo à companhia, mas isso vai mudar! A gente sempre trabalhou sup…

José tinha feito um sinal pro seu colega parar de falar. Em seguida, como querendo explicar o que havia acontecido na sala de Carlos, fez um gesto como se cortasse a própria garganta e, em seguida, um sinal politicamente incorreto que envolvia bater uma das mãos aberta na outra fechada, repetidas vezes,  apontando para todos da sua equipe.

A ficha caiu para o “Afonsinho”.
Estavam no olho da rua, sem eira nem beira.
José Luis arrumou todas as suas coisas e saiu. Saiu muito triste e sem olhar para trás. Saiu da companhia assim como entrou, sem dizer uma só palavra.

Também pudera, o pobre coitado era mudo.

“…It’s time to let your hair down
And give yourself permission
It takes courage and control
but you start by letting go”
Música: Courage and Control por Brandon Boyd, do disco The Wild Trapeze (2010)

Um novo ano se aproxima e com ele a possibilidade de se fazer mais, melhor, de querer mais (seja lá o que for).
O ano que está acabando, pra mim, foi sombrio. De longe o pior de todos os tempos. E espero com esse novo ano bons ventos e mudança.

2011. Nova década, novas possibilidades, novos tempos. Um dos principais motivos de eu gostar da data é esse: tudo é novo! Um livro com páginas em branco aberto na frente de todos nós, esperando para ser escrito. Sensação ótima de renovação.
Começar de novo. Começar com o pé direito. Começar do zero, por que não?

Como diz a música, basta coragem para fazer aquilo que deve ser feito e controle para não perder o foco, para nortear as ações. Mas para começar esse caminho é necessário  deixar pra trás tudo o que passou. É hora de olhar pra frente e não pra trás.

Feliz 2011! Que seja excelente para todos nós!

Ps: Queria que estivesse aqui comigo para ver o que vem pela frente. Saudades.

Nos últimos dias vem aparecendo várias oportunidades no mercado de quadrinhos brasileiro.
Como por exemplo o concurso da editora Barba Negra, com premiação no valor de R$ 20.000,00.
Tem também o Prêmio Abril de Personagens, mas esse o prazo de inscrição se encerra agora dia 19 de dezembro.
O Maurício de Souza comentou no seu Twitter  (@mauriciodesousa) que , em breve no seu estúdio, abrirá vagas  para contratação de roteiristas e artistas para trabalhar nas revistas da Turma da Mônica e Turma da Mônica Jovem. O Sidney Gusman (@sidneygusman) ficou de anunciar essa semana como se dará o processo.
E aí? Mãos à obra?

"Eu sou fã do trabalho de vocês! Podem assinar pra mim?"

Mês passado aconteceu aqui em Campos a 6ª Bienal do Livro, e em uma terça-feira escaldante, o evento contou com a presença dos quadrinhistas Gabriel Bá e Fábio Moon, os gêmeos dos 10 Pãezinhos. Eu sou fã de longa data do trabalho dos caras, e não poderia faltar à palestra.

A apresentação dos caras foi ótima! De verdade! Parecia que, aos poucos, eu ia acordando de um sono profundo a medida que eles iam falando, contando um pouco de como começaram, os percalços, a motivação, a paixão por fazer quadrinhos.

Eu sou aficcionado por quadrinhos desde que me entendo por gente. Aprendi a ler com a Turma da Mônica, Disney, X-Men, Homem-Aranha, Menino Maluquinho… Tudo que minha mãe me trazia ou que encontrava aqui em casa na coleção dos meus tios. Sempre estava a procura de mais. Também sempre gostei de desenhar, era extremamente natural pra mim. Coisa de quem era apaixonado mesmo.

E foi isso que eu vi na Bienal aquele dia: paixão. A história de vida deles, como começaram, fazendo mil e uma atividades diferentes para pagar as contas e sempre encontrando tempo, se virando, para contar as suas histórias em quadrinhos. Sem cansar, perseverando, acreditando sempre. Plantaram e agora mais de dez anos depois, estão colhendo os frutos desse esforço, vivendo de quadrinhos, de contar suas histórias e serem reconhecidos por isso.

Confesso que não consegui conversar direito com eles. Fiquei inadequado, tímido. Afinal, eram dois caras que eu realmente admirava o trabalho, ali na minha frente. Sei que foi bobagem, mas fiquei sem assunto. Levei os meus livros 10 Pãezinhos para eles autografarem, e super gente fina, assinaram todos com sorriso no rosto.

O Fábio fez uma analogia dos quadrinhistas com jogadores de futebol que achei perfeita: ambos precisam treinar todos os dias, se aperfeiçoar, pois não adianta simplesmente ter o talento e não praticar. Isso nunca levou ninguém a lugar nenhum. Se transformar de apenas um leitor (que é fácil) em um autor de quadrinhos (que não é fácil) leva muito tempo, exige muita disciplina e força de vontade para se ter algum resultado. Mas o resultado vem para aqueles que insistem. Os gêmeos são a prova viva disso.

A vida é curta e se não tentarmos, mesmo com as dificuldades, fazermos aquilo que mais gostamos, que mais precisamos fazer, ela perde a maior parte da sua graça.

Eu sempre gostei de quadrinhos.

Eu sempre gostei de contar histórias.

Seria minha paixão pelos quadrinhos, por contar histórias, tão forte quanto a deles? Eu seria capaz de vencer a arrebentação? Conseguiria vencer a preguiça, a descrença, para produzir de forma regular, e crescer a medida que vou praticando? É sentar e fazer. Sem desculpas e sem corpo mole. Dá pra chegar lá!

Obrigado Bá. Obrigado Fábio. Obrigado por terem reacendido o espírito quadrinhístico que estava adormecido em mim.

"Obrigado!"

Aderindo a proposta lançada lá no Twitter, fiz uma contribuição para a #TdMFriday. (Clique para ampliar).

Eu sempre curti muito as histórias nonsense do Louco e como ele sempre azucrina o Cebolinha.

Espero que gostem. Sintam-se livres para comentar.

Olá.
Esse mês saiu mais uma história minha na recém relançada revista do Mundo Canibal. Agora é quinzenal, e essa minha hq está na segunda edição. O que estão esperando? Passe na banca e garanta já a sua! (Sessão da Tarde feelings)

Olá!
Há quanto tempo não coloco nada por aqui, hein? Mais ou menos seis meses sem mostrar nada novo. E sem motivo. Ou melhor, tem motivo: preguiça. Quebrei completamente a ideia proposta a alguns posts atrás. É a vida…
Bem, sem mais chorumelas. Hoje vou mostrar como criei uma página de quadrinhos, da minha série “semi-biográfica” Mondo Maníaco.

O ESBOÇO
Esboco #2
As ideias voam, ficam pra lá e pra cá na minha cabeça. Quando resolvo contar uma história em quadrinhos, eu pego uma e trato logo de jogá-la no papel, fazendo um esboço de como será a página. Bem solto e rápido, apenas pra ter uma visualização da ideia. Colocar os personagens onde devem estar, e como eles serão feitos. Faço o posicionamento dos balões e escrevo uma primeira versão dos textos e diálogos.

O LÁPIS
Lápis MM2
Com o esboço preparado (geralmente faço no meu caderninho de desenhos, na medida de uma folha A4) parto pro desenho da página. Utilizo papel formato A3, e tento permanecer o mais fiel possível ao esboço, procurando passar o layout feito antes para essa folha maior.

A ARTE-FINAL
Nankim MM2
Terminada a parte do lápis, começa a etapa de passar a tinta nos desenhos. Trabalho com canetas nankim descartáveis da Mikron. Essa parte é a mais divertida (e demorada) do processo, quando os desenhos começam a saltar da página.

AS CORES

A arte final feita, digitalizo a página para montagem e tratamento no Photoshop, onde ela será colorida. Depois de colorir, importo o arquivo no Illustrator para colocar os balões e toda a parte do texto.

E é isso ai. Fazer quadrinhos dá trabalho, mas é extremamente recompensador chegar ao final do processo e vê-lo acabado. Agora é hora de ir para a próxima história.