Image“Tá aí. Mano, na boa, esse vai ser o ano do Boto. Tá rindo? Tá rindo, né? Tô te falando, vai ser foda! Chega de drama, história triste, de mulher maluca… Tá decidido. Só sucessagem. Anotaí”

Eu fui o autor dessa frase. Lembro bem do momento. Estava na praia, por essa mesma época de verão no ano passado, conversando com um amigo sobre o futuro e amenidades em geral, quando num momento de profunda iluminação, profetizei o meu horóscopo-chinês-paraguaio-maluco e qual seria a postura que iria adotar com relação as coisas que estavam por vir.

“Por que Boto?” você deve estar se perguntando. O Boto, de acordo com a minha memória de uma série da Globo, e a interpretação da minha cabecinha de criança na época, (e não, não tem nada a ver com a música antiga da Xuxa – que provavelmente você não conhece ou se esqueceu e neste exato momento, num furor de curiosidade, já está procurando no Google para saber do que se trata. É, eu sei que você está fazendo isto agora. Não, você não me engana.), é a imagem do malandrão de terno e chapéu branco, que aproveita a vida,  leva tudo na flauta, conquista todas as menininhas, ilude, parte corações. Aquele que “pega e não se apega”, “larga de barriga e mete o pé”, “só sambar e love”. (Aposto que você nunca leu um trecho com tantas citações toscas num mesmo parágrafo. Temos um novo recorde!)

Basicamente, era só isso que eu queria nesse mundão de meu Deus. Guardadas as devidas proporções, óbvio, porque o Boto é muito hardcore (não dá para me transformar e fugir nadando quando o bicho pegar). Muita diversão, aproveitar a vida mesmo, sabe? Sem drama, até porque vinha de um período bem conturbado. E complicação, confusão de qualquer tipo eram as últimas coisas que eu estava procurando. Pedi por um ano leve, solar, de muitas gargalhadas, de pura farra e sem sentimentos complicados para administrar. Que tolinho.

Até certo ponto tudo correu nos conformes. Novas oportunidades surgiram, um novo emprego, conheci uma cacetada de gente legal e etc. Mas no corner oposto ao da vida profissional, a minha postura “quer romance compra um livro” estava firme e forte. Mas no meio do caminho apareceu uma pedra. Depois, caiu o piano. Em seguida vieram as bigornas! Logo no ano que eu prometi para mim mesmo que não iria me envolver… Acabei percebendo que isso era o que eu mais queria que acontecesse. Me senti perdido, rodando sem parar nesse carrossel de emoções. Tonto e vomitando por todo lado.

Mas hoje, olhando em retrospecto, até que valeu. Erros honestos são bons, sempre acrescentam alguma coisa. Sempre deixam uma lição para ser aprendida. E terminei o ano mais perdido do que nunca, sem resposta para nada. No final, deve ser assim mesmo que as coisas funcionam. Talvez o truque seja não tentar entender, racionalizar. Simplesmente sentir e ver onde o rio vai desaguar. E tentar acertar uma vez ou outra.

Mas isso tudo já é passado. Ficou para trás e agora o palco está liberado para novas histórias. Esse ano de 2013 tenho a impressão de que será o ano do Sapo.

Assunto para um outro dia, talvez.